10/04/2017 às 15h39

Abraço de Gigante

Na busca por inovação, empresas criam programas para acolher startups que ajudem a resolver seus problemas

Na busca por inovação, empresas criam programas para acolher startups que ajudem a resolver seus problemas

As grandes empresas estão à caça de startups. Com dificuldades para inovarem internamente, as companhias têm criado programas para conseguir atrair os empreendedores e suas ideias.

Em geral, as iniciativas têm um modelo aberto. As grandes oferecem monitoria, disponibilizam a estrutura e também a rede de contatos, além de emprestar sua influência para a pequena. Algumas oferecem aporte financeiro, mas são exceção.

Nos últimos 12 meses empresas como Google, Santander, Basf e Monsanto criaram programas semelhantes no Brasil. A Folha apurou que a Ford planeja lançar o seu em breve no país.

“Essa área vem ganhando força, a estimativa é que o número de programas triplique em 36 meses” diz Dante Lopes, da consultoria Empreendi na Rede.

As inscrições costumam começar no início de cada semestre. O processo de seleção é similar a um vestibular, com um número de empresas sendo cortado em cada fase — que incluem análise de currículo dos profissionais e uma banca de seleção.

“Sabemos que há muitos empreendedores por aí com os quais teríamos interesse de trabalhar, mas que não conseguem nem sequer acesso na portaria da nossa sede”, afirma o vice-presidente executivo de finanças do Santander, Angel Santodomingo.

O banco abriu no fim do ano passado seu programa, o Radar, que atualmente está na última fase de seleção. As cinco startups selecionadas receberão monitoria durante seis meses. Uma nova edição deve ocorrer no segundo semestre.

Para Ricardo Guerra, diretor-executivo de tecnologia do Itaú Unibanco, esses programas são uma evolução natural. “Antes nós mandávamos três executivos para o Vale do Silício, nos EUA. Eles aprendiam muita coisa, mas a mudança no banco era pequena”, diz ele. “Com nosso programa, tentamos fazer um Vale aqui em São Paulo, que seja capaz de mudar a cultura da empresa toda.”

O banco criou em 2015 o Cubo, um espaço na capital paulista que atualmente conta com 54 startups. As empresas não têm ligação com o Itaú e podem ser de qualquer setor. “O que queremos principalmente é observar o que está sendo feito”, diz Guerra.
Uma das empresas residentes é a Fhinck, que usa inteligência artificial para tentar melhorar a produtividade de seus parceiros.

“A presença nos ajudou muito a atrair clientes. Tem empresas grandes que nunca olhariam para nós se não tivéssemos um selo de aprovação do Itaú”, afirma o sócio, Cláudio Ferreira, 42.
Nem tudo, porém, é perfeito. Para Igor Piquet, da Endeavor, o empreendedor precisa estar atento às condições propostas no programa, principalmente em como a empresa se encaixa nele.

“Se a startup estiver em um estágio mais desenvolvido do que o que o programa busca, vai ser um desperdício de tempo”, afirma ele. DIVERSIDADE O Google inaugurou no segundo semestre do ano passado o seu campus em São Paulo, um centro voltado para startups e empreendedores. A primeira turma de empresas residentes terminou em fevereiro e contou com iniciativas de diferentes setores.

Segundo André Barrence, diretor do campus, essa diversidade é benéfica. “Mesmo atuando em setores diferentes, as empresas enfrentam problemas semelhantes e muitas vezes conseguem trabalhar em conjunto para resolvê-los”, afirma ele.
Uma dessas empresas foi a Aluga Logo, plataforma online que permite o aluguel de equipamento e material de construção.

“Durante nossa presença lá, tivemos contato com pessoas de diferentes áreas. Isso nos fez enxergar carências e necessidades que não imaginávamos”, afirma o sócio Caio Almeida, 29.

Fonte: Folha de São Paulo

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