05/06/2017 às 08h42

Startup usa biotecnologia para aumentar eficiência produtiva de rebanhos

A principal vantagem do método novo é o custo de produção aproximadamente entre 30% a 50% mais barato

Foto: Freepick

A Kimera é uma healthtech de biotecnologia, que quer aumentar a eficiência produtiva de rebanhos, induzindo a ovulação de bovinos e suínos, sem recorrer aos hormônios reprodutivos de extração animal. A startup apresenta ao mercado o hormônio r-eCG – desenvolvido a partir de células modificadas por tecnologia do DNA recombinante.

Atualmente a inseminação artificial é uma ferramenta essencial para o aumento produtivo dos rebanhos e pecuaristas de todos os portes utilizam a técnica para que um grande número de animais seja inseminado, mas que esbarra na limitação técnica da detecção do cio dos animais, que podem não apresentar sincronia, aumentando o tempo para a inseminação”, comenta Camillo Del Cistia Andrade, doutor em Genética pela Universidade de São Paulo (USP).

Para resolver essa questão, surgiu a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), que utiliza hormônios reprodutivos para a indução do cio dos animais. “Esses hormônios fazem com que o ovário produza os óvulos na época da estação de monta com o objetivo de fazer a sincronização de lotes, sincronizando a época de reprodução e, consequentemente, o nascimento dos bezerros, impactando em toda a cadeia de produção”, continua.

Os hormônios utilizados e disponíveis no mercado têm como princípio ativo o eCG (Gonadotrofina Coriônica equina), obtido a partir da extração de animais. “É um hormônio extraído do sangue de éguas quando ela está prenhe, o que significa que para obtê-lo é necessário se ter um rebanho de éguas e constantemente prenhes”.

Como alternativa, a Kimera desenvolveu o r-eCG, que tem o mesmo objetivo dos hormônios de extração animal, porém é produzido através do cultivo de células modificadas por tecnologia do DNA recombinante. “O hormônio desenvolvido pela Kimera é totalmente produzido em laboratório sem a necessidade de extração de sangue das éguas”, explica.

A Kimera realizou testes para a avaliação da atividade em bovinos, utilizando ultrassom em vacas induzidas ao cio através da administração do hormônio eCG e do hormônio r-eCG. Os testes foram realizados em fêmeas da raça Nelore, paridas pelo menos uma vez, divididas em grupos homogêneos. 127 vacas receberam o hormônio eCG e 50 o hormônio desenvolvido pela Kimera.

A inseminação artificial foi realizada após a análise por ultrassom e observação da ovulação de cada animal de ambos os grupos. “Os resultados apontaram taxa de prenhez de 50,2% para o grupo eCG, e de 48% para o r-eCG (Kimera). E na análise do crescimento folicular o resultado foi semelhante. Os testes mostram que é possível reproduzir o hormônio em laboratório, utilizando um processo biotecnológico de cultivo. A principal vantagem do método novo é o custo de produção aproximadamente entre 30% a 50% mais barato. Além da questão ética que exclui a utilização de éguas prenhas no processo de produção”.
Fonte: Portal StartSe

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